quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Os 5+: Corridas da Sauber na F1

Vai ter festa no Circuito das Américas, em Austin, esse fim de semana. E não, não é a comemoração de mais uma vitória da Mercedes (eles ainda celebram isso?) ou por Lewis Hamilton colocar uma luva e quatro dedos da outra na taça do tricampeonato. Estamos falando dos 400 GPs da Sauber.

Única equipe suíça do grid, a Sauber carrega o sobrenome de seu fundador – Peter – desde os anos 1970, muito antes de se enveredar nos monopostos com o apoio da Mercedes, lá em 1993. E foi assim mesmo quando uma outra montadora alemã, a BMW, resolveu comprar sua estrutura, em 2006. Ou seja: carisma puro.

Quatro temporadas depois, a crise bateu forte e os bávaros mandaram o controle da equipe de Hinwill de volta para a sua terra, criando assim um fenômeno: a lendária e única BMW Sauber Ferrari, que correu a temporada de 2010 com Pedro de la Rosa, Nick Heidfeld e Kamui Kobayashi no cockpit.

Fato é que a Sauber jamais decolou. Nem pequena nem grande – apenas diferente – a equipe que já foi bancada por Mercedes e que foi a porta de entrada da Red Bull na Fórmula 1 acumulou 808 pontos nesses 23 anos na categoria máxima do esporte à motor. Foram, também, 27 pódios e apenas uma vitória, nos tempos áureos de BMW, quando a parceria foi vice-campeã mundial em 2007 e chegou a brigar pelo título de pilotos de 2008.

Mas mesmo que a maior contribuição da Sauber pelo automobilismo tenha acontecido, possivelmente, fora da pistas e atenda pelo nome de Monisha Kaltenborn – a primeira mulher a comanda uma equipe de F1 – sobreviver em um bom nível por mais de duas décadas no moedor de dinheiro que é a categoria de Bernie Ecclestone é um feito a ser louvado. Por isso, hoje recontamos as cinco melhores corridas da equipe de Peter Sauber.

Confira!

5- Monaco, 1996

Johnny Herbert: sobrevivente em uma corrida historicamente caótica / Foto: Google Images

Quem? Johnny Herbert e Heinz-Harald Frentzen
Classificação: 9º (Frentzen) e 13º (Herbert)
Resultado: 3º (Herbert) e 4º (Frentzen)

1996 foi uma daquelas temporadas que divide as águas de uma década e talvez até da história do esporte: foi o primeiro ano de Schumacher na Ferrari, a estreia de Jacques Villeneuve na Fórmula 1, finalmente Damon Hill conseguiu levar seu título. Mas talvez 96 seja lembrado mesmo como o ano da corrida mais caótica da história do esporte. Foram apenas quatro bravos pilotos recebendo a quadriculada, entre falhas mecânicas, colisões e rodadas no estreito e molhado circuito do Principado.

A vitória ficou com Olivier Panis – a única de sua carreira e a última da história da Ligier – e a performance da Sauber nesse dia é pouco lembrada, mas não deveria. Afinal, em uma prova que 6 dos 22 carros disseram adeus antes mesmo de passaram pelos boxes pela primeira vez, só o time de Peter terminou com seus dois pilotos. E podia ter sido melhor do que o terceiro lugar de Johnny Herbert e o quarto de Heinz-Harald Frentzen: o alemão, que estava em quinto ainda no início da prova teoricamente assumiria a liderança, uma vez que todos os pilotos a sua frente abandonariam, quando um toque com Eddie Irvine danificou sua asa dianteira e tirou suas chances de vitória.

Mesmo assim, sobreviver é lembrar. E a Sauber tanto sobreviveu àquele 19 de maio de 1996 que sua história está aqui.

4- África do Sul, 1993

Depois da sua primeira corrida na F1, a Sauber tinha mais pontos do que patrocínios. / Foto: Pinterest

Quem? J.J. Lehto
Classificação:
Resultado:

Classificar em sexto e terminar em quinto uma corrida não parece um grande feito? Que tal fazer isso na estreia da equipe na Fórmula 1, quando apenas os seis primeiros colocados levavam valiosos pontinhos para casa? Pois foi isso que J.J. Lehto fez em 1993 a bordo do C12 – o primeiro bólido da Sauber.

Inimaginável nos dias atuais (principalmente com uma equipe criada do zero), a proeza do menos conhecido dos finlandeses das últimas décadas começou na classificação, quando ele levou seu negro monoposto até a terceira fila, no primeiro qualy de sua história, largando ao lado da Ferrari de Jean Alesi e à frente da Benetton de Riccardo Patrese e da McLaren de Michael Andretti.

Na corrida, deu Prost e sua Williams de outro planeta, com mais de um minuto de vantagem sobre Senna. E o fato daquela tarde em Kyalami ser mais uma prova de resistência, tão comum na F1 dos anos 1990, só mostrou que a Sauber já nasceu uma sobrevivente: Lehto pode ter sido o último dos que completaram a corrida. Mas ele completou, e a Sauber pode bater no peito e dizer que pontuou logo em sua estreia. Motivos mais justos para essa ser a quarta melhor prova do time na história, nós não achamos que há!

3- Itália, 2012

Depois do pódio, a festa. Estrelando Peter, Checo e Monisha. / Foto: F1Fanatic/Sauber F1 Team 

Quem? Sergio Perez
Classificação: 13º
Resultado:

Hoje na Force India, Sergio Perez parece ter caído naquele limbo em que as grandes promessas tornam-se pilotos comuns. Habilidosos – pero no mucho – e que carregam consigo uma justa quantia de dinheiros para conseguirem uma vaguinha em equipes um pouco melhores que as retardatárias de sempre. Os olhos que olham para ele em 2015 já não brilham mais como há três anos quando, no cockpit de uma Sauber acertadinha (talvez uma das melhores da história, se não a melhor da equipe como independente) despontou como um dos talentos mais promissores da categoria.

A estratégia era simples: andar muito rápido, gastando muito pouco pneu, economizar um pitstop e voi là, escalar posições no pelotão até chegar nos pontos ou até algo a mais. Assim como em Kuala Lumpur (calma!), em Monza o “algo a mais aconteceu”.

Consistente durante toda a tarde, Perez chegou a liderar a prova entre as voltas 25 e 29, até fazer seu único pitstop do dia. Voltou em quarto, atrás de Hamilton, Massa e Alonso, só que dessa vez, ao contrário da Malásia, não se intimidou pelos Cavalinos Rampantes à sua frente, e tratou de passar os dois até a volta 46. Nas últimas sete voltas, partiu para cima de Hamilton, mas a quadriculada veio antes que ele pudesse se aproximar. Fechando a conta, Checo conseguiu seu terceiro e último pódio de 2012, praticamente selando seu contrato (fail) com a McLaren para 2013. Até hoje a Sauber procura um novo Perez. E até hoje Perez procura o velho Perez...

2- Malásia, 2012

Quem ganhou a corrida mesmo? / Foto: Google Images

Quem? Sergio Perez
Classificação: 10º
Resultado:

Nós já falamos, ali em cima, desse GP da Malásia. E embora Perez tenha largado três posições acima do que ele largou na Itália, Kuala Lumpur ganha a medalha de prata porque foi em terras asiáticas que quase “serou” para a esquadra de Hinwill.

Assim como Mônaco-96, a chuva trouxe o caos para a segunda etapa do mundial de 2012. Mas como a F1 já era diferente daquela de uma década e meia atrás, os resultados foram bem menos turbulentos. Fato é que Perez, vendo que a água que caía do céu era muita, parou depois da primeira volta para colocar pneus de chuva pesada, ao invés dos intermediários que o resto do grid ostentava. E deu certo: o mexicano do carro nº 15 colocou-se em posição de pódio, e de lá não mais saiu.

Depois do safety car e da interrupção da corrida, Alonso passou o mexicano na volta 16. Perez voltou a liderar na volta 40, depois que o espanhol foi para os boxes. E Checo só não fez a apoteose de Peter Sauber (como equipe independente) porque quando tinha a asa traseira da F2012 do bicampeão em sua alça de mira, um comando do rádio pediu para que fosse cauteloso. O mexicano ouviu, entendeu, errou a freada na chicane e se contentou com o segundo lugar mesmo. Pena. Seria muito carisma – mesmo – que aquela temporada 2012 da Fórmula 1 começasse com oito vencedores diferentes nas oito primeiras corridas. E que um deles fosse Sergio Perez a bordo de uma Sauber.

Mas mesmo antes de 2012 a equipe da terra do queijo, dos relógios e dos canivetes pôde provar o gostinho da champanhe da vitória. Certo que foi a época “queijo-com-cerveja” da Sauber, mas tá valendo mesmo assim. Por isso, a número 1 da nossa lista é...

1- Canadá, 2008

Heidfeld, Mario Theissen e Kubica: a apoteose da Sauber / Foto: Google Images

Quem? Robert Kubica e Nick Heidfeld
Classificação: 2º (Kubica) e 8º (Heidfeld)
Resultado: 1º (Kubica) e 2º (Heidfeld)

Depois que a parceria com a Williams foi pro ralo, a BMW precisava achar um novo recipiente para despejar seus Euros e voltar, finalmente, ao topo da Fórmula 1. E dessa vez nem precisou atravessar o canal da Mancha e ir até a Inglaterra. Foi ali do outro lado dos Alpes mesmo que os bávaros costuraram um acordo com Peter Sauber, renomeando a equipe com o nome da montadora alemã e pintando os bólidos de branco.

A ideia era que a BMW se tornasse uma “Mercedes antes da Mercedes”. A crise de 2008 acabou não deixando que isso acontecesse, mas entre 2007 e 2008 a fabricante do motor campeão de 83 foi a terceira força da Fórmula 1. E em 2008 veio a consagração máxima.

Se no Bahrein o implacável e irresponsavelmente talentoso Robert Kubica havia feito a pole, em Montreal ele saiu apenas de segundo no grid. Mas carreras son carreras, e Hamilton ainda tinha mais vento que fios loiros em sua cabeça. Sua patacoada nos boxes, quando atropelou Kimi Raikkonen, tirou ele e o finlandês da corrida. E com os azares de Felipe Massa (que sempre encontra contratempos no Canadá), a corrida caiu no colo das BMW. Coube a Kubica, então, apenas ultrapassar seu companheiro de garagem, Nick Heidfeld, e rumar para a sua, da BMW e da Sauber como equipes também, única vitória no mundial, o ponto mais alto de mais uma carreira interrompida precocemente, assim como a última incursão da marca na Fórmula 1. Dois anos depois, a Sauber voltava a ser inteiramente suíça.

Mesmo assim, foi essa época que escreveu o nome da Sauber no hall dos vencedores da maior categoria de monopostos do mundo. E isso não é pouca coisa.


Gostou da lista? Esquecemos de alguma corrida ou gostaria de sugerir algo? Escreva para nós nos comentários!

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