sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Aldeia Maracanã

Maíra Guimarães, Fanato Esporte e Turismo



Desde que a Copa do Mundo de 2014 foi anunciada para acontecer no Brasil o território nacional virou cenários de contradições. Um país sem estrutura educacional, de saúde e cultural, como poderia? Governos investem bilhões em construções de possíveis elefantes brancos, que a principio ficariam a cargo de empresa privadas. Algo que está nítido é que os grandes eventos esportivos que serão sediados no país estão expondo nossas feridas, seja para o bem ou mal.
O mais recente embate que nos foi apresentado foi sobre a decisão do governo do Rio em demolir o Museu do Índio, localizado nos arredores do estádio do Maracanã. Vejam só que ironia, Maracanã, uma palavra de origem Tupi não pode conviver com seu vizinhos indígenas.  Mas por quê? Para construir um estacionamento, já declarado desnecessário pela FIFA.
O espaço considerado de valor histórico cultural, que, além disso, abriga uma pequena tribo no seu entorno poderá ser substituído por uma massa corrida chamada estacionamento, sem motivos consistentes para a construção do mesmo. A FIFA já se declarou contra, o IPHAN, órgão federal de preservação assim com o INEPAC, entidade governamental, são de parecer contrário, e essa semana a UNESCO já declarou o envio de uma carta ao governo brasileiro exigindo mais explicações acerca da possível demolição.
E não somente os órgãos especializados se manifestaram contrários a esta decisão, a população também se mobilizou. O prédio foi ocupado por diversos ativistas, além das famílias indígenas que lá se encontram. Dois funcionários empregados na obra do estádio chegaram a furar o cerco policial e se juntaram em apoios aos índios, os mesmo foram demitidos posteriormente ao ato. Porém esse tipo de atitude só mostra como a população deixou de ser passiva e submissa perante as decisões aleatórias de um governo “democrático”.
O governador Sérgio Cabral declarou essa semana que não pretende desistir da demolição e sugeriu aos índios uma mudança para outra região da cidade. E o prédio de aproximados 150 anos, teria algum valor? Com todo o dinheiro previsto no gasto para a demolição, em torno de 586 mil reais (fora o montante da construção do dito estacionamento e complexo de compras), seria possível revitalizar a aérea. Com uma reforma no Museu, transformando o local em um centro de cultura e vivências, sendo possível ter nas mãos um interessante atrativo turístico nos arredores do estádio mais visado da Copa, e da cidade sede das próximas Olimpíadas.
Um dos objetivos dos grandes eventos esportivos, no meu parecer, é a junção de povos para vivências enriquecedoras entre diferentes culturas. Nada melhor que um Museu Indígena juntamente com seus representantes, nos arredores de um dos principais estádios, para mostramos aos visitantes do nosso país um das culturas mais subjugadas e subestimadas desta pátria. Porém, no entanto, não é isso que vemos, já que de indígena mesmo só aproveitamos os nomes e continuamos seguindo a cultura de economia concretada.

As opiniões expressas neste blog são de responsabilidade do autor.



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